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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Comunicado do Movimento de Ocupação em resposta a nota publicada pela Reitoria no site da Uerj e distribuída pelos seguranças no campus Maracanã.

Carta aberta à comunidade

No dia 10 de setembro deste ano, os estudantes, reunidos em uma Assembléia em dois turnos, deliberaram, entre outras coisas, uma pauta de reivindicação estudantil e a ocupação da Reitoria. A ocupação é legítima, pois é pacífica, foi democraticamente deliberada em Assembléia dos estudantes, e se justifica porque Vieiralves se recusava a receber o DCE, que solicitava esclarecimentos sobre a real situação da universidade e dos direitos dos estudantes.

Após o início do movimento de ocupação, aqueles ligados ao Reitor logo trataram de botar suas garras de fora, questionado a ocupação e soltando algumas pérolas como: “não há motivos para protestar” e “a relação com o governo do estado nunca foi tão boa...”. Quem estuda e trabalha na Uerj sabe que motivos para protestar não faltam, tanto que os três segmentos estão em luta. Queremos melhorias na estrutura e no ensino, bandejão, e tantas outras coisas essenciais para uma Universidade de qualidade que nos são negadas pela Reitoria e pelo Governo do Estado.

Em carta aberta, a Reitoria se coloca como vítima, ressaltando tudo o que teria feito em prol dos estudantes da Uerj, tendo a ousadia de tomar para si os méritos de conquistas resultantes de anos de luta e mobilização da comunidade acadêmica, como o aumento das bolsas. Onde estava a Reitoria quando Sérgio Cabral entrou com recurso contra o artigo 309 da Constituição Estadual que destina 6% da arrecadação tributária líquida do Estado à Uerj? O que foi publicado no portal quando sofremos esse ataque do governador? Por que será que não há a mesma disponibilidade da reitoria em responder as arbitrariedades de Cabral? Será que procede a alegação de Vieiralves de que ele só teria responsabilidade pela Uerj no período dos últimos dez meses?

A resposta é simples e o próprio currículo lattes do Reitor Vieiralves nos mostra. Vieiralves foi sub-reitor da Uerj duas vezes. A primeira vez, na sub-reitoria de Extensão. A segunda vez, na sub-reitoria Graduação. Além disso, suas relação com os governos estaduais responsáveis pelo aprofundamento de nossa crise nunca foram escondidas: participou do governo Garotinho, e ocupou (pasmem!) duas Secretarias do Estado ao mesmo tempo no governo Benedita (Secretaria de Ciência e Tecnologia e Secretaria de Energia, Indústria Naval e Petróleo). Depois, foi ocupar o cargo de Diretor do Museu da República e, quando sai de lá para assumir a Reitoria da Uerj, teve seu espaço ocupado por, nada mais nada menos, que a mãe de Sérgio Cabral, Magaly Cabral.

Para quem tem dúvidas, indicamos o seguinte link, atualizado pelo próprio reitor:

http://buscatextual .cnpq.br/ buscatextual/ visualizacv. jsp?id=K4780741H 0

No entanto, ele não é uma exceção. Nilcéia, última Reitora a ser apóia por Vieiralves, de cuja administração o atual Reitor participou, tinha postura bastante semelhante. E hoje, qual teria sido o seu destino? Saiu da Reitoria direto para o Governo Federal, caminho natural para quem não costuma se indispor com os governos, mesmo diante da absurda política hegemônica de sucateamento das instituições públicas.

A reitoria deveria ser representante da comunidade junto ao Governo, lutando de fato por esta instituição, mas infelizmente o que acontece é justamente o oposto. O que temos no comando da Universidade é um verdadeiro posto avançado do Governo do Estado, que reproduziu as nojentas técnicas da Polícia Militar carioca quando nos chamou para uma reunião de negociação, em que, na verdade, estavam nos esperando com oficiais de justiça a postos para nos citar judicialmente.

Não precisamos dizer que, para nós, é um claro atestado de incompetência uma instituição de educação tratar seus estudantes como réus e trair-lhes a confiança num momento em que deveriam conversar para avançar na melhoria da universidade.

Hoje estamos ocupando a Reitoria, sim! Muitos membros da comunidade acadêmica estão conhecendo os luxuosos espaços de poder de nossa Universidade, contrastando claramente com uma instituição abandonada. Além disso, pela primeira vez a Reitoria esta sendo obrigada a receber os estudantes para esclarecer a quantas anda o nosso Bandejão (cuja verba já existe, mas não há sequer um sinal de início de sua construção), ouvir nossa pauta de reivindicações e iniciar um processo de negociação. Queremos o direito à educação, não só para nós, mas para as gerações que virão. Nossa pauta é a demonstração disso.

Por fim, desafiamos Vieiralves a publicar também esta nossa resposta no site da Uerj, bem como incluir no mesmo um link de nosso blog, o informativo oficial do Movimento de Ocupação. O Reitor precisa entender que o site da Universidade é patrimônio público e não dele. Se hoje ele é o Reitor, a Reitoria é nossa!

Rio de Janeiro, Reitoria Ocupada, 18 de setembro de 2008.

em: http://uerjocupada. blogspot. com/

Comunicado Oficial da Reitoria da Uerj

Em nota oficial divulgada no site www.uerj.br , a reitoria da Uerj se pronunciou sobre a ocupação da sala e dos movimentos que os alunos têm feito nessa última semana. A carta à comunidade da Uerj afirma que a "administração enfrenta um duplo desafio: propor e implementar os projetos que deverão se voltar para os novos tempos; e avaliar, melhorar ou corrigir os caminhos que vinham sendo trilhados".

A reitoria apresentou os 18 pontos das reinvindicações dos alunos e divulgou projetos que já foram realizados nessa nova gestão, entre eles o aumento em quase 30% o valor das bolsas dos alunos cotistas e sua extensão para toda a faculdade; Estabelecimento de canais de abertura com os estudantes de graduação nas Sub-Reitorias (em especial na SR-1 e SR-3); o projeto do Restaurante universitário que deve estar em funcionamento até o ano que vem, entre outros.

A carta na íntegra você pode conferir no link abaixo:
http://www.uerj. br/modulos/ kernel/index. php?modulo= noticias&cod_noticia= 2585

A nota ainda menciona que na sala se encontram documentos importantes de órgãos públicos e pertences pessoais dos funcionários, entre outras coisas, e que a reitoria adotará "todos os instrumentos legais disponíveis, agiremos com cautela política e tentaremos evitar danos maiores à nossa instituição."

Hoje completa uma semana de ocupação da reitoria pelos estudantes, que afirmam que só irão desocupar o espaço após negociações concretas.

em: http://blogdatvuerj .blogspot. com/

O ABSURDO OFICIAL DA REITORIA

Comunicado da Reitoria
18/09/2008

Carta aberta à comunidade da UERJ

Uma administração enfrenta um duplo desafio: propor e implementar os projetos que deverão se voltar para os novos tempos; e avaliar, melhorar ou corrigir os caminhos que vinham sendo trilhados. Os problemas enfrentados pela UERJ eram muitos e exigiam da nova administração a necessária vontade política, a competência, o comprometimento com a mudança e um esforço redobrado no sentido da superação dos desalentos, desesperanças e apatia que tomavam conta da Universidade.

Na noite do dia 10 de setembro, os gabinetes da Reitoria da UERJ foram invadidos por setores estudantis. Para a invasão houve arrombamento das portas.

Os estudantes que invadiram os gabinetes da Reitoria apresentaram no dia 16 de setembro, seis dias após a invasão, seu conjunto de reivindicações, disponíveis para acesso público no site da UERJ. Entre os 18 pontos apresentados incluem-se: feitura de uma olimpíada universitária; doação de um data-show e tela de projeção para o DCE; livre acesso ao bachalerado; reestruturação e melhoria da biblioteca da FFP (São Gonçalo) e FEBF (Caxias); alojamento estudantil e creche universitária em todos os campi, dentre outras reivindicações.

A Reitoria lembra à comunidade universitária que nestes nove meses de gestão:

1. Aumentamos em quase 30% o valor das bolsas que estavam sem qualquer reajuste nos últimos 10 anos;
2. Recuperamos o programa de bolsas de Iniciação Científica Júnior no CAp que havia sido paralisado e criamos o programa de bolsas cultura;
3. Ampliamos as bolsas para os cotistas por todo o período em que estudarem na UERJ e não somente durante um ano (como era desde que o programa de cotas foi implementado), aplicando imediatamente a Lei 5230/2008;
4. Tiramos da gaveta o projeto do Restaurante Universitário, revisamos com o Instituto de Nutrição, encaminhamos para licitação, conseguimos recursos para implementá-lo e a partir do próximo ano estará em funcionamento;
5. Retiramos da gaveta projetos pedagógicos importantes para a UERJ e para os estudantes (a aprovação do novo currículo da FEBF) em tempo recorde;
6. Estabelecemos canais de abertura com os estudantes de graduação nas Sub-Reitorias (em especial na SR-1 e SR-3);
7. Apoiamos financeiramente a semana de calouros do DCE na abertura do ano letivo;
8. Estabelecemos diálogos com organizações estudantis de caráter político-cultural;
9. Normatizamos as concessões de apoio financeiro a estudantes, com uma política de incentivo à participação discente em congressos acadêmicos e estudantis, e implantamos novos procedimentos com relação aos trabalhos de campo;
10. Defendemos e apoiamos nossos egressos dos cursos pedagógicos com problemas no concurso promovido pela Secretaria de Educação.

Muitas outras ações foram feitas. Estamos produzindo um relatório de nossa gestão para acompanhamento da comunidade universitária. As que destacamos dizem respeito exclusivamente à vida dos estudantes.

Informamos à comunidade universitária que na Reitoria encontram-se processos que dizem respeito à vida funcional de cada professor e funcionário; diplomas com papel impresso na Casa da Moeda do Brasil especialmente para a UERJ sem assinaturas; documentos do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado; objetos pessoais dos membros do gabinete e outros importantes documentos que dizem respeito à Universidade.

A Reitoria da UERJ terá firmeza e bom senso. Adotaremos todos os instrumentos legais disponíveis, agiremos com cautela política e tentaremos evitar danos maiores à nossa instituição.

Reitoria da UERJ

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Direto da Ocupação

REITORIA DÁ GOLPE BAIXO NOS ESTUDANTES E TRAI EQUIPE DE NEGOCIAÇÃO

Na tarde de hoje (16/09) a Reitoria chamou a equipe de negociação do Movimento de Ocupação para "pedir um esclarecimento" . No entanto, o que se viu foi uma verdadeira apunhalada nas costas do movimento. No meio das negociações, Maurício Mota, diretor da DJUR, chegou acompanhado com os Oficiais de Justiça para citar os réus da ação ajuizada pela Uerj em face dos diretores da executiva do DCE. Logo após a citação, a reunião se encerrou.

A atitude demonstra que a Reitoria não preservou os acordos e traiu a confiança necessária para a manutenção das negociações. Além disso, a postura teve como intuito constranger os militantes, já que não era necessário fazê-la desta forma, prejudicando as negociações. A citação poderia ter sido entregue na portaria da ocupação (a chamada "citação ficta", ou seja, aquela que pressupõe que os réus têm conhecimento de que estão sendo processados) .

Na Assembléia de ontem, ficou deliberado que entre os dezoito pontos de reivindicação da ocupação está a desistência de todos os processos contra os molitantes do movimento e a exoneração de Maurício Mota da DJUR. O histórico da relação de Mota com os estudantes é complicado. Quando diretor da Faculdade de Direito, ficou conhecido por atitudes autoritárias. Um momento histórico dessa ríspida relação foi a ação que os estudantes impetraram em face dele. Nela Maurício Mota saiu derrotado e foi obrigado a desfazer algumas decisões que havia tomado unilateralmente. Na DJUR há menos de um ano, Mota já é falado pelos estudantes como um dos principais responsáveis pela iniciativa de retirar espaços dos Centros Acadêmicos.

Mais notícias neste blog ou com a Comissão de Comunicação da ocupação:
http://uerjocupada. blogspot. com/

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Resultados da Assembléia de 11/09 - Manhã

Informes
- Greve
- Ocupação
- Mandato de reintegração de posse
- Duas linhas de discussão: externa (greve/ocupação), interna (posicionamento da faculdade)
- Colher propostas para atividades sábado à noite

Greve
- A favor: 9 votos
- Contra: 40 votos (Mesmo assim, tendo ou não aula, a movimentação continua.)

Vestibular
- Proposta 1: Os alunos não impeçam os vestibulandos de fazerem a prova mas que organizem um protesto pacífico. Iriamos todos de preto e distribuiriamos panfletos explicando a situação da UERJ e as nossas reivindicações. Paralelamente a isso, tentariamo burocratimante congelar o calendário do vestibular. Vencedora com 35 votos
- Proposta 2: Impedimento do vestibular - 4 votos

Propostas gerais
- Aula no Palácio da Guanabara
- Construção de um calendário de ocupação e exigir o mesmo dos professores e funcionários

Propostas para Manifestação de domingo
- Produção de material explicativo sobre a situação da uerj, greve e ocupação da reitoria
- Mural com fotos do incêndio
- Fazer ações junto aos secundaristas no domingo e depois.
- Fazer camisetas pretas para os vestibulandos
- Fazer tiras pretas e amarrar nos vestibulandos
- Fazer novos releases sobre a ocupação, ressaltando a virada de sábado para domingo
- Propor que haja pessoas da imprensa passando a virada de sábado para domingo. Band já está sendo sondada. Tentar Caco Barcellos.
- Atividades culturais- Pautas: como é o dia-a-dia de uma ocupação, a noite da virada.